Acho que nunca entendi o que era timing até você aparecer na minha vida. Timing, ou no nosso caso, wrong timing. É o que acontece quando duas pessoas se gostam, muito, mas estarem juntas é uma luta diária. Uma luta contra as diferenças, diferenças trazidas pelo tempo, pelo amadurecimento. Ou pela falta dele.
Diferença entre intensidades, entre a sua incerteza e a minha ansiedade. O que pra mim é uma eternidade, pra você é um segundo, mas quando eu demoro, você acha um absurdo. Essa coisa de wrong timing é difícil de entender, mais ainda de aceitar e pior de encarar. Quando os desentendimentos aparecem é difícil entender por quê eles começaram. Quando você entende, é difícil aceitar que não há nada que ninguém possa fazer, além de ser paciente. Mas quando chega a hora de encarar... Quem encara? Como vou encarar que pra você tem mil empecilhos, e pra mim o importante é te ter ao meu lado, não importa o cenário? Como vou encarar que a astrologia nos apresenta como casal perfeito, mas a cada semana encontramos um novo defeito? Como vou encarar que quando estamos bem sou a minha melhor versão, mas quando mal, a minha pior? Como vou encarar que talvez essa não seja a hora certa, que teu abraço trouxe o perdão, a reconciliação, mas nosso esforço pode estar sendo em vão?
Com você é montanha russa, e, não que eu não goste de montanhas-russas, mas você há de convir comigo que viver em uma não é tão fácil. Ou estamos no topo, ou estamos despencando, não temos meio termo. Acho que é isso que acontece quando duas pessoas intensas, ou como nós nos chamamos, dramáticas, são colocadas juntas. O passeio foi bom por um tempo, mas nosso carrinho descarrilhou, e agora insisto em me prender no que restou. E faço isso porque dói, sabe? Dói reler as conversas antigas, dói pensar em não sentir mais o friozinho na barriga e, mais ainda, em jogar tudo isso fora pelas nossas brigas. Então me prendo às nossas memórias, aos nossos dias de carinho e luto pra não sentir o que estou sentindo. Mas eu sinto. Sinto que é preciso encarar que não funcionamos, apesar do tanto que tentamos, e que se agora sofremos, é porque nos esforçamos. O que o tempo fere, o tempo cura, e, quem sabe um dia, ele nos dê a chance de ter um trilho com melhor estrutura.
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